Projeto do CTUR investiga diversidade de mosca-branca e fortalece formação técnica em fitossanidade

Por Luan Cezário.

O Colégio Técnico da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (CTUR) desenvolve um projeto de pesquisa e extensão dedicado ao levantamento das espécies de mosca-branca no estado do Rio de Janeiro, à compreensão de suas relações ecológicas e à definição de estratégias de manejo e controle. A iniciativa é coordenada pelo professor doutor Thiago Dias Trindade, no âmbito do Laboratório de Fitossanidade Paulo César Cassino, e representa uma referência na área de entomologia aplicada.

O laboratório homenageia o ex-professor do CTUR, Paulo César Cassino, profissional que se destacou desenvolvendo tecnologias e políticas de controle de pragas, trabalhando, especialmente, com mosca-branca. Boa parte de sua bibliografia e de seu acervo acadêmico sobre mosca branca são componentes do laboratório.

Embora esteja institucionalmente ativo no CTUR desde 2017, o projeto possui uma trajetória mais longa. “Na verdade, esse trabalho existe desde 2004, a partir da minha formação e da minha atuação contínua com mosca-branca, tanto no nível técnico quanto no ensino superior”, explica o coordenador do projeto.

Segundo o Dr. Thiago Dias, o interesse pelo tema surgiu ainda nos anos 1990, quando atuava como técnico em agropecuária. “Desde a minha primeira formação, eu venho tendo contato com a mosca-branca, que é um inseto de difícil observação e de grande impacto econômico”, afirma.

Publicação científica

Um marco recente conquistado pelo laboratório foi a primeira publicação de artigo completo desde sua inauguração em junho de 2024. O estudo, divulgado na Brazilian Journal of Animal and Environmental Research (https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJAER/article/view/84733), trata da distribuição de Singhiella simplex, uma das espécies de mosca-branca investigadas pela equipe. A pesquisa representa um avanço significativo na visualização nacional e internacional da produção científica do laboratório, fortalecendo o CTUR como centro de referência no estudo de Aleyrodidae.

Foto: reprodução

Impactos econômicos e pesquisa pioneira

A mosca-branca soma mais de 1.500 espécies descritas no mundo, algumas capazes de causar prejuízos severos à produção agrícola. Além da sucção de seiva, que enfraquece as plantas, esses insetos atuam como vetores de viroses vegetais. “Elas são capazes de transmitir fitoviroses, como o begomovírus, que pode levar até 100% de perda em culturas como o tomate”, destaca o coordenador.

O projeto desenvolvido no CTUR se diferencia por sua abordagem ampla, que inclui áreas agrícolas, sistemas agroflorestais, e fragmentos florestais. “Durante o meu doutorado, estudei mosca-branca em fragmentos florestais do estado do Rio de Janeiro. Foi um trabalho pioneiro, e até hoje não há registros semelhantes no mundo”, ressalta o Dr. Thiago Dias.

O professor doutor Thiago Dias ainda participou da identificação inédita de espécies no Brasil, como a mosca-negra-dos-citros (Aleurocanthus woglumi) e a mosca-branca-da-figueira (Singhiella simplex).

Formação técnica, estágios e parceria

Um dos pilares do projeto é a formação de estudantes. Atualmente, as atividades envolvem estagiários de nível técnico e de graduação, oriundos dos cursos de Ciências Agrícolas, Educação do Campo e Agronomia, além de alunos do próprio CTUR. O projeto também conta com o apoio de um estagiário PDAI, vinculado à disciplina de Mecanização, que atua de forma integrada às ações de campo e de laboratório.

“O nosso grande objetivo é capacitar o técnico em agroecologia e em meio ambiente para reconhecer as moscas-brancas, compreender sua diversidade e atuar no manejo integrado de pragas, com ênfase no controle biológico”, explica o coordenador.

O projeto conta ainda com a parceria permanente do Dr. Valdemir Durigon, fortalecendo as atividades de pesquisa, formação e produção científica desenvolvidas no laboratório.

Manejo integrado e extensão para a agricultura familiar

As ações do projeto envolvem levantamento de ocorrência das espécies, coletas periódicas, estudos de sazonalidade e análise das interações ecológicas entre moscas-brancas, inimigos naturais e outros organismos associados. “Os alunos estudam o inseto dentro de um complexo ecológico, entendendo os níveis de equilíbrio, de controle e de dano econômico”, afirma o Dr. Thiago Dias.

Além da pesquisa e do ensino, o laboratório atua fortemente na extensão. A partir de 2026, o projeto pretende ampliar suas atividades para a agricultura familiar, oferecendo capacitações voltadas ao reconhecimento das pragas e ao uso responsável do receituário agrícola. “O conhecimento que produzimos aqui não é só pesquisa. Ele é extensão, é para o aluno em formação, para o egresso e para o produtor do campo”, ressalta o professor.

As espécies identificadas são incorporadas ao acervo didático do CTUR, garantindo acesso às futuras gerações de estudantes e consolidando o Laboratório de Fitossanidade Paulo César Cassino como um espaço de produção e difusão do conhecimento.

Ninfa de Aleurodicus pulvinatus, montada em lâmina e lamínula. componente do Acervo Didático do laboratório de Fitossanidade do CTUR ‘Paulo César R. Cassino’

Mesmo diante de desafios estruturais e ambientais, o coordenador mantém uma perspectiva positiva. “É um trabalho de médio e longo prazo, que exige apoio contínuo, mas tenho plena convicção de que vamos seguir avançando e fortalecendo a formação técnica e científica no CTUR”, conclui.


live draw sgp slot pulsa toto macau idn slot slot gacor slot888 slot dana slot thailand Toto88 slot gacor slot pulsa slot dana judi slot triofus situs toto toto88 jayatogel maxbet totojitu protogel